O caminho até a aprovação em concursos públicos é feito, muitas vezes, de dúvidas, medos e sacrifícios. Mas também é composto por momentos de virada, decisões corajosas e a descoberta de que a capacidade está muito além do que imaginamos.
A história de Bárbara Baima Desterro, 31 anos, advogada e agora aprovada no ENAM (Exame Nacional da Magistratura) com 57 acertos, é um retrato vivo dessa jornada.
Em entrevista ao Magistrar, Bárbara compartilhou sua trajetória, desde o sonho antigo com a magistratura até a aprovação que parecia distante, passando por uma transformação radical em sua rotina e mentalidade.
“Sempre almejei a magistratura”
Natural do Maranhão, Bárbara conta que o curso de Direito nunca foi uma dúvida. “Desde o comecinho mesmo, sempre soube que iria cursar a faculdade de direito. Minha personalidade sempre me levou pra esse caminho. Da mesma forma, também sempre almejei a magistratura. Desde o início da faculdade, sempre a tive como plano A.”
Mas, como acontece com muitos formandos, a conclusão do curso trouxe um turbilhão de dúvidas. “A gente se vê diante de um leque de opções dentro do direito. Meio perdida, comecei a estudar pra concurso público, mas sem foco, sem disciplina… comprei curso A, curso B, fazia um estudo capenga, frágil.”
Foi então que ela passou em um seletivo e começou a atuar como assessora de juiz. A experiência foi positiva, mas não suficiente. “Gostei muito do trabalho, mas depois de um certo tempo passei a sentir que precisava ter outra experiência. Mesmo sendo um bom trabalho, e um bom salário, não era o que eu queria de verdade.”
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O medo que paralisa
Bárbara revela um sentimento que muitos concurseiros conhecem bem: o medo de tentar e fracassar. “Pra ser bem sincera, eu sei, hoje, que eu tinha medo. Eu achava que não seria nunca capaz de passar num concurso. Acho que tinha medo de realmente me ‘jogar nos estudos’ e não conseguir. Ou das coisas que eu teria que abdicar durante o caminho.”
Esse receio a levou a optar pela advocacia em 2022. “Foi um caminho bonito. Amadureci muito, tive a oportunidade de conhecer inúmeras pessoas e me firmar como profissional. Cresci bastante financeiramente, profissionalmente.”
Até que, no final de 2024, algo começou a mudar. “Começou aquele negocinho no peito, aquele sinal. ‘Você não tá no caminho certo.’ ‘Não é o que tu queres.'”
Mas junto com o chamado, veio o medo, potencializado pelo cenário que ela havia construído: cinco empregos simultâneos.
“Tinha crescido tanto. Será que eu teria coragem de largar tudo o que eu tinha conquistado? Será que ‘eu tinha capacidade pra passar num concurso?’ Eu precisaria largar, abdicar, dar uns 5 passos pra trás. Isso passou a martelar na minha cabeça por mais de oito meses.”
A decisão que mudou tudo
Foi em julho de 2025 que Bárbara tomou a decisão mais importante de sua jornada. “Pra mim, foi difícil tomar essa decisão. Mas foi uma decisão que tomei comigo mesma e com Deus. Eu decidi queimar TODOS os barcos. Hoje, eu sei que só vou parar quando eu passar. Não tem volta.”

Ela rompeu contratos, saiu de quatro dos cinco empregos e ficou apenas em um. Conseguiu o apoio do marido e dos pais. “Pensei que ‘se era pra jogar todas as cartas, que eu procurasse o melhor curso, a melhor aposta’.”
Foi então que encontrou o Magistrar.
“Foi o primeiro e único que contatei. Logo na primeira reunião, em setembro de 2025, fechei a mentoria.”
Na época, o ENAM 2025.2 estava muito próximo. A orientação do professor Alexandre foi utilizar aquela prova apenas como diagnóstico para montar um cronograma personalizado.
O resultado inicial foi de 48 acertos. Foi a partir desse desempenho que toda a trajetória de estudos começou a ser construída.
O trabalho de formiguinha
O início foi desafiador, especialmente no fim de ano, com confraternizações e Natal. “Mas eu ia insistindo… ainda que, naquele começo, eu não estivesse conseguindo cumprir todo o cronograma, eu tava sempre tentando. ‘Se insistisse, uma hora eu criaria a disciplina diária necessária’.”
Em janeiro de 2026, o ritmo mudou. Ela passou a estudar diariamente, cumprindo quase sempre o cronograma. “Me considero uma ‘aluna-soldado’, como o Alexandre fala. O Magistrar me dava o que eu tinha que fazer e eu fazia. Eu podia até não fazer 100% bem feito, mas eu fazia.”
Com a chegada do edital do ENAM, a intensificação foi total.
“Fazia o cronograma pela manhã e assistia as aulas pela noite. Se eu acumulava algo, não assistia a alguma aula, dava um jeito de encaixar isso em algum horário.”
Ela conta que estudou até durante uma viagem em março. “Acordava mais cedo e estudava. Ouvia aulas no carro, cozinhando, no banho, me arrumando. Brinquei com o Alexandre que ‘agora eu ia poder voltar a ouvir música’, mas já passou porque já retomei os estudos.”
Sua tática foi clara: “Eu acho que eu fiz um trabalho de formiguinha. Todo dia ali.”
A espera e os recursos
Após a prova do ENAM 2026.1, Bárbara optou por não corrigir pelo gabarito extraoficial. “Receio de ter uma expectativa quebrada.”
Quando o gabarito oficial saiu, ela ficou revoltada, especialmente com questões que eram cópia literal de lei e estavam com respostas equivocadas. “Falei com o Alexandre, e ele disse: ‘calma, vai mudar. Vamos recorrer’.”
E funcionou.
“Fiz os recursos, e um diazinho depois, veio a retificação do gabarito… e eu passei. Eu nem acreditei (até hoje fico sem acreditar). Hoje eu sei que esse é o meu caminho. É onde eu devo estar.”
O que fez a diferença
Bárbara destaca alguns pontos fundamentais para sua aprovação:
Cronograma personalizado: “O que me ajudou muito foi ter o cronograma bem elaborado, específico pra mim, como se fosse uma receita de bolo. ‘Se você cumprir, vai dar certo’. Foi o que me ajudou a criar a disciplina.”
Aulas de qualidade: “Eu não gostava de videoaula, mas os professores são incríveis, então era prazeroso (de verdade) assistir. Professor Rilmo, prof. Mônica, Gustavo, todos são incríveis.”
Imersões: “As imersões também foram muito boas. Não perdi uma e ganhei muitas questões em virtude delas.”
Cérebro: “Passei a utilizar mais agora, porque meu novo cronograma é por lá, e estou gostando bastante de tudo. Das explicações, das questões, da possibilidade de marcarmos e anotarmos, tudo na mesma plataforma.”
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Próximos passos
Aprovada no ENAM, Bárbara não para. “Me dei o luxo de descansar por uns quatro dias, mas já retomei meu cronograma.” Seu foco atual é o Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), além de TJDFT e TJPI, que têm grande probabilidade de concurso em breve.
Sua mensagem para quem está começando ou pensando em desistir é clara:
“Trabalhei comigo mesma que ‘caso não desse certo, eu faria o próximo, que estava tudo bem’. A disciplina de hoje constrói a aprovação de amanhã.”
A história de Bárbara mostra que a aprovação no ENAM não aconteceu por acaso. Foi resultado de uma decisão difícil, de uma mudança completa de prioridades e, principalmente, da construção diária de uma rotina consistente.
Entre o medo de tentar e a coragem de recomeçar, ela escolheu apostar no sonho que carregava desde a faculdade. Hoje, com a primeira aprovação conquistada, segue estudando com o mesmo objetivo que estabeleceu quando decidiu “queimar todos os barcos”: chegar à magistratura.
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