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De 43 a 57 pontos: a jornada que levou uma advogada à aprovação no ENAM

Trabalhista em Tremembé-SP descobre que estudar bem vale mais do que estudar muito, e transforma rotina para passar na magistratura

Julia Secomandi Goulart de Camargo tinha tudo mapeado até 2025. Advogada de 27 anos, aprovada na OAB no XXXIII Exame, pós-graduada em Direito e Processo do Trabalho, moradora de Tremembé-SP, atuante na área trabalhista, ela havia esperado o momento certo para enfrentar o ENAM.

Desde a faculdade carregava o sonho de ser juíza, mas decidiu atuar como advogada durante três anos primeiro, querendo ter certeza de que a magistratura era realmente o que desejava. Quando o edital do ENAM saiu em 2025, ela estava pronta. Cuidava de sua avó, tinha rotina apertada, mas estava determinada.

Ou pensava estar.

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A armadilha do “estudar muito”

Julho de 2025. Julia adquiriu um curso no pós-edital, mas logo percebeu que não se adequava a sua realidade. O cronograma exigia 4 a 6 horas diárias, basicamente, leituras de PDFs imensos, lei seca, mais leituras. Teoricamente, era possível. Na prática, ela trabalhava 8 horas por dia lendo processos e petições na frente do computador. Chegar em casa e passar mais 4 ou 6 horas lendo era inviável.

“Eu seguia um cronograma de 4h por dia. Eram 2h dedicadas à leitura de lei seca e outras 2 horas divididas entre dois materiais, de segunda a sábado. O problema era a quantidade de leitura e o tempo que eu tinha disponível”, explica Julia em entrevista à equipe de redação do Magistrar.

Ela cumpria as metas horárias, mas o estudo não era produtivo. Fazia tudo correndo, sem atenção, apenas para não atrasar. Além disso, cometeu o que ela mesma identifica como um erro: “Eu achava que precisava esgotar todas as matérias antes da prova”.

Com pouco tempo de qualidade e uma estratégia que não funcionava, Julia prestou o ENAM em outubro de 2025. O resultado: 43 pontos… não passou.

Foi devastador. Mas foi também o ponto de virada.

Conhecer o Magistrar foi como encontrar uma bússola

Durante aquela primeira preparação, Julia descobriu o Magistrar pelo Instagram. Depois da reprovação, após muitas pesquisas, ela tomou a decisão de investir na Vitalícia Black.

Não foi uma escolha fácil, era um investimento alto. Mas ela havia visto vídeos de pessoas aprovadas na Magistratura pelo II CNU que eram mães, trabalhavam, tinham poucas horas disponíveis. “Pensei: ‘Eu tenho mais tempo do que elas. É possível. Só preciso do direcionamento correto'”.

O direcionamento correto veio com a mentoria do Professor Alexandre. Ao invés de um cronograma genérico, ele montou algo compatível com a vida real de Julia: videoaulas, pequenas leituras em PDF, lei seca, informativos, muitas questões.

A lei seca, por exemplo, era apenas 30 minutos por dia, mas nos dias em que estava menos cansada, conseguia fazer uma hora. “Para o ENAM, passei a estudar de uma forma muito mais dinâmica. Era uma forma de estudar que se encaixou muito melhor na minha rotina”.

Aquela lição seria a base de tudo dali em diante: “Eu diria para não confundir estudar muito com estudar bem. No começo, eu achava que precisava esgotar todas as matérias e cumprir muitas horas de leitura, mas isso me deixava cansada e frustrada. Um estudo possível de manter, com constância, revisão e muitas questões, vale muito mais do que um cronograma enorme que não cabe na sua rotina”.

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Sete meses de rotina implacável

De novembro de 2025 até junho de 2026, Julia construiu uma rotina que seria seu combustível diário. Acordava cedo. Trabalhava de 8h às 11h. Das 11h às 12h15, estudava, geralmente videoaula com anotações. Almoçava. Voltava ao trabalho. Às 17h30, retomava os estudos e seguia até por volta das 22h, às vezes mais tarde.

De segunda a sexta, seguia o cronograma da mentoria. Aos sábados, simulados. Domingos, correção de questões e montagem do caderno de erros. Todos os dias, questões na plataforma. Quando o Cérebro surgiu, ela reservava mais uma hora a hora e meia para praticar.

“Minha média era de 4h a 5h líquidas de estudo por dia, de segunda a segunda. Muitas vezes acontecia de estudar apenas 3h, dependendo das demandas no escritório”. Mas havia constância, qualidade e, acima de tudo, havia evolução.

Os simulados no Magistrar mostravam números crescentes. Aqueles 43 pontos do ENAM IV começavam a parecer distantes. “Depois que entrei no Magistrar, minhas pontuações nos simulados alcançaram os 70% exigidos no ENAM, e isso foi me dando muita confiança. Eu comecei a perceber que realmente era possível passar”.

Cada sábado, ao terminar um simulado com nota boa, Julia ficava feliz e motivada para começar a semana seguinte. O primeiro ENAM, com seus 43 pontos, havia ensinado uma lição crua: aprovação é possível, mas não sem método.

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O drama do resultado

Junho de 2026 chegou. Julia estava ansiosa, mas confiante. “No meu primeiro ENAM, fiquei bem nervosa. Não fazia uma prova desde a OAB, em 2021, e sabia que não tinha estudado o suficiente. No ENAM foi um pouco diferente. Fui mais confiante, principalmente depois de tudo que tinha estudado, dos simulados, das questões, dos informativos”. Mesmo confiante, o medo bateu na véspera.

Depois da prova, Julia acompanhou todos os gabaritos extraoficiais. Quase todos indicavam que havia conseguido os 70% necessários. Quase todos. Um gabarito apontava 54 pontos. Mesmo assim, conversou com o Professor Alexandre e ficou esperançosa.

No dia 9 de junho, saiu o primeiro gabarito oficial. Julia corrigiu a prova. E viu que tinha 51 acertos. O chão desabou. Não tinha passado novamente.

No dia seguinte, Julia tinha uma cirurgia importante agendada. Acordou da anestesia, ainda na sedação, e viu que tinha saído a retificação do gabarito. Com a mãe ao seu lado, ainda no hospital, num momento de vulnerabilidade extrema, Julia corrigiu a prova junto com ela.

57 pontos. Com o gabarito oficial, ficou em 57. “Foi muito emocionante, principalmente para a minha mãe, que estava ali comigo”.

Passou!

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O conselho para quem volta

Julia tem uma vida diferente agora. Segue na mentoria, continua preparando-se para a Magistratura do Trabalho, a área que escolheu naturalmente, pela atuação que tinha.

Mas antes disso, ela deixa recados para quem pensa em retomar os estudos depois de uma reprovação, ou para quem está começando agora.

“Para quem já tentou o ENAM e não passou: não deixe uma reprovação definir a sua capacidade. Cada pessoa tem o seu tempo”. Julia sabe disso porque viveu. Ela também sabe que mudança de estratégia pode ser a diferença entre 43 e 57 pontos.

“Também diria para olhar para essa reprovação e entender o que dá para melhorar. No meu caso, percebi que, se continuasse estudando daquela forma, provavelmente não conseguiria passar. Precisei mudar a estratégia”.

Para quem está começando agora, o recado é direto: “Não se compare com a rotina de outras pessoas. Cada um tem uma realidade, um trabalho, uma família e uma quantidade de horas disponível. Encontre uma forma de estudar que funcione para você e, principalmente, que você consiga manter. O importante é ter constância”.

E há um conselho final, o mais clichê, mas também o mais verdadeiro: “Não desista porque uma prova não saiu como esperado”.

Julia agora continua sua caminhada rumo à magistratura, transformando aqueles 57 pontos no ENAM em mais um passo de uma trajetória que começou com um sonho, passou pelo fracasso, encontrou método, e finalmente chegou à aprovação. A próxima etapa — a magistratura do trabalho — já está em foco.

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