Nicolas Menezes Rocha, 33 anos, técnico judiciário no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, foi aprovado no ENAM 2026.1 com 61 acertos. Casado e pai de um bebê de 9 meses, mora em Paraíso do Tocantins.
Seria uma apresentação comum, não fosse um detalhe decisivo: Nicolas carrega dez anos de tentativas, frustrações, mudanças de método e a certeza de que havia algo errado, não com ele, mas com a forma como estudava.
Formado em Direito em 2018, começou a jornada concurseira em 2015, quando tentou o INSS e ficou perto de ser nomeado. Em 2017 e 2018, já nos últimos anos da faculdade, vieram as aprovações: OAB (com nota máxima na segunda fase de Penal), Técnico Judiciário do TJSC e Auxiliar Técnico do MP estadual.
A motivação naquele período era “intensa” como ele define, namorou à distância por quatro anos, enquanto a esposa estudava Medicina no Paraguai. Precisava sair dali.
A década de tentativas frustradas

Mas a formatura trouxe uma realidade diferente. Depois que começou a trabalhar, em 2019, algo se quebrou.
“Nunca consegui estudar por mais de três meses seguidos”, confessa Nicolas.
Tentou concursos para Promotor de Justiça (MPTO) e Defensor Público (DPESC), mas ficou longe da nota de corte, sempre preso em torno de 60%. Fez dois ENAMs: no 2024.2 acertou 48 questões; no 2025.2, 50. O mesmo ciclo infinito, repetido.
A rotina de preparação era parecida com a de tantos candidatos: material de cursinho, cadernos sistematizados e questões na internet. Mas havia dois buracos enormes.
“Eu não lia de forma autônoma a lei seca e os informativos”, reconhece. “E mudava constantemente de material e de objetivo conforme as oportunidades. O que percebi que não funcionava era estudar sem revisões”, resume.
Dez anos. Aprovações pontuais. Promessas que viraram fumaça. A magistratura estadual sempre no horizonte, mas cada vez mais distante. Nicolas estava cansado…
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A última tentativa
Tudo mudou em outubro de 2025, quando Nicolas assistiu a uma live pós-ENAM 2025.2 e conheceu o Magistrar. Decidiu entrar como “última tentativa” — palavras dele — para sair daquele patamar de 60% que o aprisionava havia uma década. Mas houve um obstáculo: precisou interromper os estudos de novembro a fevereiro. A retomada, porém, foi diferente.
A partir de fevereiro de 2026, Nicolas fez uma promessa a si mesmo: nem um dia sem estudar. Nem um. Domingo, segunda, de madrugada, na viagem, todos os dias, durante quatro meses. A rotina era dura: acordava às 4h (alguns dias, às 5h) e estudava até as 9h.
E não era um despertar tranquilo. O filho, com APLV (alergia à proteína do leite) exigia noites difíceis. Nicolas levantava cansado, tomava café, lavava o rosto repetidas vezes, estudava em pé. Insistia.
À tarde, enquanto balançava a rede para o bebê dormir, lia informativos ou resolvia questões. À noite, acompanhava as aulas ao vivo do Magistrar de revisão e mentoria. “Nem sempre eu rendia muito pela manhã”, admite, “mas sempre insistia”.
O que realmente funcionou
A diferença não esteve na quantidade de horas, mas na qualidade da constância. Nicolas abandonou a leitura superficial.
Na preparação com o Magistrar, revisava conforme o cronograma, revia videoaulas, fazia questões e simulados, relia o caderno de erros e usava flashcards no Anki.
Três ferramentas, porém, foram decisivas: a leitura cíclica de lei seca (não uma vez, mas repetidamente), a Comunidade de Lei Seca (que o destravou de vez na constância) e os 15 simulados semanais.
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Os simulados, em especial, mudaram o jogo. No início, acertava de 46 a 50 questões, de um total de 80. Montou um caderno de erros meticuloso. Refazia. E, a partir de maio, começou a bater 75% ou mais. O progresso ficou visível.
“Perceber o progresso me ajudou a ter calma na hora da prova”, revela. “Eu já sabia exatamente quanto tempo ia demorar para fazer a prova.”
Os professores também deixaram marca, do macete do professor Rilmo Braga, passando pelos exemplos da professora Mônica e até as palavras da professora Isadora na Comunidade de Lei Seca, tudo ajudou.
Durante a prova, quando uma questão aparecia, Nicolas lembrava de onde tinha aprendido. Era como ter os professores sussurrando no ouvido.
No dia 7 de junho, Nicolas viajou 60 km até Palmas. Acordou cedo, leu recursos no CPC, releu o caderno de erros e assistiu a uma videoaula de Direitos Humanos. Estava ansioso, estudando até o último minuto. Mas, quando entrou na sala, a ansiedade desapareceu. “Foi leve”, conta.
“Fui lendo as questões com segurança em muitas. Em alguns momentos, até esbocei um sorriso.” Acertou 61 questões. Ao ver o resultado, vibrou com a esposa, a mesma pessoa que o apoiou durante toda a jornada, acordando com ele nas madrugadas e cuidando do bebê enquanto ele estudava. “Depois de Deus, foi a pessoa que mais me ajudou”, diz.
“O caminho é árduo, as privações sociais são muitas. Mas valorize quem te ajuda. Ame hoje. Não se iluda achando que dá para estudar quando sobra tempo, ou com o celular ao lado. Foque toda a sua atenção no tempo que tem, como se nunca mais fosse ver aquele assunto”, afirmou. E completa com a frase que virou mantra: “Concurso não se faz para passar, mas até passar.”
Nicolas esperou dez anos para ouvir a própria vez ser chamada. Não desistiu. E agora segue focado na magistratura estadual, provando que constância, família e um bom método não são luxo — são necessidade.


